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Repita comigo: “vai passar!”

Muitas pessoas quando estão vivendo uma situação pela primeira vez, algo desconhecido, ficam assustadas. Imersas naquela nova realidade, não conseguem enxergar o todo, acabam se frustrando e não conseguem racionalizar. O que era pra ser uma gota vira um copo transbordante.
Eu percebo que isso acontece muito frequentemente na maternidade. Aquele choque de realidade logo que o bebê nasce assusta qualquer pessoa, é muita novidade ao mesmo tempo. Tudo é potencializado, as emoções, as responsabilidades e os medos. E para piorar, a quantidade avassaladora de informações, dicas, relatos, conselhos e ideias é de pirar as melhores cabeças.

Lembro de ter ficado apavorada quando o Daniel nasceu e não pegava o peito corretamente pra mamar. Isso durou 3 ou 4 dias e passou, mas até lá foram dias intensos de muita angústia. 

Mais tarde, quando ele tinha uns 6 meses, começou a só dormir no colo! Que desespero, parecia que eu tinha perdido tudo que conquistei até então. Isso durou umas duas semanas 🙄 Passou. Depois, tivemos outras mil situações novas: introdução alimentar, retorno ao trabalho após a licença maternidade, desmame, aprender a andar, falar, comer sozinho, ir para escola…e por aí vai. Em breve o desfralde, o adeus à chupeta, o leite no copo e não mais na mamadeira, a transição do berço pra cama, as primeiras lições de casa, as festinhas dos amigos da escola, enfim. 

Cada fase nova vem com uma dose de ansiedade, alegria e medo. Mas em tão pouco tempo o que aprendi que mais tem feito sentido pra mim é que tudo, absolutamente tudo passa. Mesmo que a situação em si não mude, a forma como a gente lida com ela passa. Por isso não vale a pena se entregar ao sofrimento, a ansiedade e ao medo. Apesar de legítimos, eles podem se tornar uma arapuca para tirar nossa alegria de viver a maternidade como ela é.

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“Parar de trabalhar não foi uma alternativa que cogitei.” | Conheça a história da Carol Emerich.

Oi mulherada! Mais uma quarta-feira, mais uma entrevista por aqui 😉 E hoje encerramos a nossa primeira série “Mulheres 3 em 1”.  Eu simplesmente amei dividir estas conversas com vocês e espero que de alguma forma tenha inspirado e motivado vocês.

A entrevistada de hoje é a Maria Carolina Emerich, que tem 38 anos, é casada com Mauricio há  6 anos, mãe da Melissa de 3 anos. A Carol é bióloga, mestre em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Espírito Santo. Trabalha há 10 anos na Suez, há 5 anos atuando na gestão de Qualidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança para América Latina.

Carol, conte um pouco sobre a sua história. 

– Tive uma infância muito dura, após meus pais perderem tudo o que tinham. Saímos de um patamar muito alto e fomos expostos a uma dificuldade muito grande e ainda por cima em um estado diferente, saímos de MG para o ES por conta de uma oportunidade de trabalho que meu pai teve. O que mais marcou minha história nessa fase foi o trabalho emocional constante que meus pais tiveram ao me incentivarem a aproveitar ao máximo o que escola pública podia me dar, ao insistirem em manter nossos valores morais, éticos e cristãos. Isso alimentou o sonho de vencer e chegar “em algum lugar” , e melhorar a vida.

Meu pai sempre trabalhou muito, sempre foi muito dedicado à família e às pessoas e eu o admirei muito por isso, queria ser igual a ele. E assim fui construindo minha trajetória baseada em muita luta, acordava muito cedo para ir numa escola melhor, mas que era longe da minha casa. Consegui uma bolsa de estudo no 3º ano (pré-vestibular) na melhor escola particular de Vitória, mas tive que estudar muito para acompanhar a turma. E passei de primeira na Federal, o que para mim significava muito, porque certamente meus pais não teriam grana para bancar a faculdade particular. Depois do ensino superior fui aprovada num programa de Mestrado em Engenharia Ambiental também na mesma Universidade e a partir daí comecei a sonhar com um trabalho na área técnica voltada para o Meio Ambiente, minha especialidade.

Eu sempre quis ter família mas nunca foi algo que persegui fortemente. Esperava que acontecesse naturalmente, no curso da vida. E acho que foi bem isso que rolou. 

Você sempre trabalhou fora? Como foi conciliar seu trabalho após a maternidade? Pensou em parar?

– Comecei a trabalhar no primeiro ano de faculdade, aos 18 anos, como professora de Ciências/Biologia em escola pública do Espírito Santo. Desde então, nunca mais parei. Foram quase 10 anos exclusivos em educação, passando por ensino público e particular em diferentes níveis.

Quando terminei o mestrado consegui uma vaga na empresa em que trabalho atualmente. Atuei em Vitória, por quase 3 anos em um contrato de operação e manutenção de plantas de tratamento de águas em uma grande empresa instalada na cidade e depois desse período tive a oportunidade de mudar de cidade e vim para São Paulo), na mesma empresa, porém para uma função diferente e mais desafiadora. Vim sozinha encarar a cidade grande, as diferenças culturais e o desafio do novo trabalho, e acho que foi a melhor escolha que fiz. Depois de três anos decidi mudar de área, busquei outro curso, dessa vez um curso de especialização em Gestão de Qualidade, Segurança e Meio Ambiente e a empresa me deu a oportunidade de ser gestora da área para a América Latina.

Me casei com um paulista dois anos depois de me mudar para SP. Depois de dois anos de casados,  decidimos que queríamos ter um bebê ( a idade já chegando…) e a empreitada na tentativa de engravidar foi muito rápida, o que, de cara me deu medo. Mas encarei e amei. Minha gravidez foi muito tranquila, o que não interferiu na minha rotina de trabalho. Após o nascimento da minha filha tive 6 meses de licença + férias e estava super decidida a voltar ao trabalho. Parar não foi uma alternativa que cogitei.

Como você e o Maurício conciliam trabalho, filhos e casamento?

– Nossa rotina de trabalho é intensa, a do meu marido um pouco pior que a minha. Então eu administro os horários de entrada e saída da escola, onde ela fica integralmente dois dias na semana e nos outros três  dias eu tenho o auxílio da minha sogra no período da tarde. Assim seguimos desde o primeiro ano de vida da Mel. Nos primeiros meses após a licença, tive o auxílio da minha irmã mais nova, que veio de Vitoria nos ajudar.

Eu e meu marido temos muitas conversas sobre a forma de conduzir nossa família e temos nos ajeitado em relação a isso nesses três anos.

Quais são os principais desafios que você encontra hoje para ser uma mulher 3 em 1?

– Acho  que a organização do tempo é um grande desafio para nós. Num mesmo dia você pode estar super preocupada e focada em um trabalho importante para fazer/entregar e, com uma tarefa de casa do filho (que muitas vezes requer muito tempo para executar); com as questões da casa (contas, compras, organização, funcionários) e com as demandas do seu casamento (estar depilada, unhas feitas, diálogo, uma taça de vinho, disponível para o sexo), enfim.

Além disso, acho que equilíbrio emocional é o que nos ajuda a conseguir a executar bem todas essas demandas ao longo dos dias, numa rotina que nos acostumamos, e nos vemos capazes de levar.

O que te motiva a trabalhar? 

– Amo meu trabalho, amo o que faço, amo pessoas, tenho uma relação muito forte com meu trabalho, com a empresa, confesso que não sei o que faria se tivesse que parar. O sentimento é  de que não conseguiria.

Quem são suas principais referências femininas?

– Minha avó materna foi uma figura muito forte para mim, sua garra e conquistas foram muito grandes para o tempo que vivia, num contexto muito machista. Ela criou 10 filhos, trabalhava fora, guardava dinheiro para suprir eventuais necessidades, tinha o controle de todos na família.

Minha irmã mais velha também foi uma referência e motivação para mim, ela era muito dedicada à leitura, lia clássicos em biblioteca pública em nossa infância, aprendeu duas línguas sozinha, entrou na universidade pública. Eu queria muito ser como ela, eu a seguia.

Na sua opinião, quais são os caminhos para encontrar o equilíbrio entre ser esposa, mãe e profissional nos dias de hoje?

– Ponderação, respeito, diálogo, paciência (muita!!!) e dependência de Deus.

O que você e seu marido fazem para cultivar o relacionamento de vocês?

– Diálogo, carinho, parceria, viagens… amamos viajar! Isso nos dá novo ânimo sempre.

Por fim, o que você faz com seus filhos para ser uma mãe presente mesmo trabalhando fora? Do que você não abre mão?

– Brincamos muito, fazemos coisas diferentes nos fins de semana, leio histórias ao dormir, oramos juntas, nosso jantar também é algo que sempre fazemos juntas.


 

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Da maternidade, uma nova carreira: doula e consultora do sono infantil | Conheça a história da Cacau Prado.

Olá Mulheres 3 em 1!  Nossa entrevista de hoje é com uma mulher que tem a cara da maternidade! A Cacau amou tanto ser mãe que mudou de carreira para ser mais presente na vida dos filhos. Hoje se sente plena exercendo sua tripla jornada e de quebra ainda ajuda muitas mamães através do seu trabalho nas redes sociais.

Carolina Prado é casada, mãe do Enzo de 6 anos e da Nina de 4 . Ela atuou na área de educação bilíngue por 10 anos e se reinventou depois do nascimento dos filhos. Hoje ela é empresária, atua como consultora do sono infantil e doula.

Cacau , antes de ser mãe, como a maioria das mulheres, você devia imaginar a maternidade e a vida de mãe, não é? E a realidade, foi muito diferente do que imaginava?

– Sim, em alguns aspectos eu romantizava a maternidade porque era realmente um sonho meu, mas em outros eu sabia e tinha noção de que não seria tão fácil. Talvez por eu ter trabalhado tantos anos com educação, algumas situações foram mais leves quando me tornei mãe. Com certeza a dependência emocional e o coração fora do nosso peito que nasce com um filho. Isso me surpreendeu e assustou. Lembro-me de chorar a noite de tanto que eu amava o Enzo, do medo que eu tinha de qualquer coisa de ruim acontecer.

Comecei a perceber que esse medo me freava de viver tudo que Deus havia me confiado. Ele tinha me presenteado com o Enzo justamente por me escolher como mãe dele e saber que eu daria conta sim. E por um outro lado me vi uma mulher muito mais guerreira, forte com a certeza de que eu poderia ser quem eu quisesse. Parir nos faz mais capazes eu acredito, ganhamos uma força que nem conhecíamos antes. E essa transformação mudou muito minha vida. Profissionalmente tive coragem de iniciar projetos que antes viviam em papéis, emocionalmente comecei a acreditar mais no meu sexto sentido como mulher e mãe.

O que mais te surpreendeu na maternidade até hoje e qual o impacto que ela trouxe para a sua vida?

– No começo me vi perdida porque fui a primeira das minhas amigas a me tornar mãe. Tive que ir atrás de informações e tirar minhas próprias conclusões de tudo que eu conhecia. Depois que percebi que eu era a mãe e meu marido era o pai, nenhuma opinião alheia ou pitaco me machucavam.

Hoje em dia escuto com carinho e ainda aprendo muito com os outros, mas tenho comigo que os filhos são meus e no final a decisão é sempre minha, porque eu sempre dou os meus 1000% para acertar e se eu errar tudo bem, porque foi seguindo meu coração.

Muitos casais demoram a se adaptar após a chegada dos filhos, o que é super normal. Como foi a experiência de vocês? O que vocês tentam fazer para cultivar o relacionamento a dois?

– Cuidar do meu marido sempre foi importante para mim. Carrego desde já a certeza de que Enzo e Nina irão crescer, sair de casa e vão formar suas famílias, e adivinha? É meu marido quem ficará de amigo e meu companheiro. Se eu não cultivar nosso relacionamento acabarei em casa com um estranho.

Logo no começo do pós parto sentia falta de ter mais tempo a dois, como ir ao cinema e sair para jantar. Claro que a coragem de fazer eu não tinha!

Como amamentei os dois, eu esperava eles crescerem e ficarem pelo menos mais de 4 horas sem mamar e mesmo com medo eu começava a fazer testes. Foi preciso um esforço para eu ter coragem de sair e deixar por poucas horas qualquer um dos dois.

Um dia eu ia ao shopping, outro dia no cinema pertinho e deixava com a vovó a noite, um dia saíamos para jantar e deixávamos dormindo. Assim fomos resgatando nossas características de marido e mulher.

E confesso que meu coração de mãe sofria também, mas com o tempo recuperei meu eu, a Cacau que precisava também existir para ser uma boa mãe. Acredito que nos reinventamos depois da maternidade e precisamos ir aos poucos nos reconhecendo no meio das mudanças, até conseguirmos sair sem nossos filhos, nos divertirmos e não nos sentirmos culpadas por isso.

Agora que Enzo e Nina tem 6 anos e 4 anos marcamos fins de semana que apenas vamos ao cinema e dormimos até tarde. Ou viagens aqui pertinho, ou programas de adulto e sempre deixamos com as avós. É sempre uma alegria para eles, para as vovós e para nós também! Todo mundo sai ganhando!

Você mudou de carreira depois que o Enzo nasceu, certo? Como foi esta mudança?

– O Enzo me fez mãe e com tudo que vivi fui me reinventando. Algumas prioridades que eu tinha deixaram de ser prioridades. Depois que a Nina nasceu tudo mudou mais ainda, eu amava meu trabalho, mas sabia que o trabalho de ser mãe é hoje e agora!

Eu poderia retomar qualquer desejo profissional que eu tivesse para sempre, mas criar bem os dois e estar com ambos nessas primeiras fases da vida nunca mais eu poderia resgatar. O dia de hoje já não volta mais!

Isso foi me deixando angustiada e assim aos poucos fui me preparando para trabalhar menos para os outros e mais para os meus filhos e família. Fiquei um tempo sendo apenas mãe, e aos poucos fui ajudando outras mães, vizinhas, parentes e amigas até notar que eu havia criado uma profissão nova.E que nessa profissão eu que organizava meus horários e poderia ainda assim ser mãe.

Depois de um tempo descobri que o que eu fazia já era uma profissão no Canadá, Europa e Estados Unidos e fui atrás de uma especialização na área do sono infantil através de uma associação americana.

Quando mergulhei no mundo da maternidade, muitas coisas foram acontecendo e surgindo em meu caminho, eu sempre fui apaixonada por parto, pelo momento do nascimento e um dia uma mãe que me conhecia queria muito que eu acompanhasse o parto dela, e assim me descobri Doula.

E como você lida com o trabalho hoje? Qual o papel do trabalho na sua vida?

– Meu trabalho hoje tem o papel de adicionar. Penso sempre que preciso adicionar para mim como mulher, adicionar para as mães e famílias que tenho o privilégio de atender, adicionar para a sociedade que hoje conhece uma profissão nova e para meus filhos e família que tem em casa uma mulher que pensa no futuro deles, que é feliz de estar em casa durante as tardes para ficar com eles, que ajuda a pagar uma viagem nas férias em família e contribui de uma certa forma com o amanhã deles. Sempre que sinto que algo não está acrescentando, paro e reflito se a situação é um desafio, ou se é algo que não vale a pena tirar meu tempo com minha família. Desafios virão e precisamos enfrentá-los para alcançarmos algo maior, mas vou no meu tempo, sem medo de estar caminhando mais devagar, sei que vivo essa fase hoje e assim que eles forem crescendo as coisas vão ficando mais rápidas.

Você se sente realizada hoje com as escolhas que fez? Faria alguma coisa diferente?

– Sou muito feliz por ter decidido anos atrás investir em algo que eu sentia que seria capaz, sou feliz por ter decidido passar mais tempo com meus filhos e ser presente no dia a dia deles.

Claro que temos dias ruins por aqui! Tem dias que levar Nina ao ballet em meio à mil acontecimentos me enlouquece, mas sei que tudo passa no primeiro “eu te amo mamãe” que ela solta.

Eu não faria nada diferente, acho que talvez teria tomado essa decisão antes, mas acredito que tudo foi feito no tempo certo também!

Que conselho você tem para as mães que estão iniciando a vida materna agora ou para que as que estão buscando caminhos para conciliar trabalho, casamento e filhos?

– Para todas elas meu conselho é que sejam felizes, não permitam que opiniões externas ou da sociedade te definam. Escolha seu caminho com sua família e siga. Se você é feliz trabalhando fora, seja feliz, se você é feliz em casa com os filhos, assuma isso para sua vida também. Se sua vontade é ficar em casa e sua situação financeira não permite vá aos poucos se redescobrindo, procure algo que saiba que é boa e não tenha medo de investir e ir conquistando seu espaço na área. E nem se culpe pelo pouco tempo presente na vida de seu filho, faça dessas horas com os pequenos, as mais ricas horas de troca mesmo que poucas.

Carregue a leveza contigo, ela deve andar com você em todas as áreas. É tão bom ser mãe que não vale a pena deixar os anos passarem, preocupados com o futuro. Podemos sempre fazer algo pelo hoje apenas. O ontem já passou e o amanhã é Deus quem decide.

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Para conhecer mais sobre o trabalho da Cacau clique nos links abaixo:

http://www.mom2be.com.br 

https://www.instagram.com/cacauprado/ 

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“Trabalhar me faz uma pessoa melhor dentro de casa”| Conheça a história da Flavia da Hora.

Olá meninas, chegou mais um dia de entrevista por aqui. A mulher 3 em 1 de hoje é prática, simples e muito descomplicada. Eu tenho o privilégio de caminhar com ela e dividir os amores e as dores da maternidade, do casamento e do trabalho. Temos bastante coisa em comum, inclusive o nome dos nossos filhos 😉

Flávia vive em Jundiaí-SP, tem 30 anos, é mãe do Daniel de 1 ano e 7 meses e esposa do Gustavo. É assistente social e funcionária pública no INSS desde 2013.

Flavia, fale um pouco sobre você, sua origem familiar.

Cresci em Registro, interior de São Paulo. Na minha infância acompanhava e participava das atividades dos meus pais: meu pai comerciante e minha mãe dona de casa. Gostava dos dois mundos: o do trabalho e do lar. Estudei Serviço Social na UNESP e fiz mestrado na mesma área na PUC. Morei em São Paulo – Capital por 5 anos e agora moro em Jundiaí-SP. Me formei aos 21, casei aos 24, terminei o mestrado aos 28 e fui mãe aos 29. Tudo muito entrelaçado, como a vida costuma ser.

Você sempre trabalhou fora? Como foi conciliar seu trabalho após a maternidade? Pensou em parar (ou chegou a parar por algum tempo)?

– Trabalho fora desde que me formei em 2008. Não tive grandes dificuldades logísticas em conciliar trabalho e maternidade, pois tenho uma carga horária de trabalho reduzida pelo concurso que prestei. Os maiores dilemas foram emocionais – principalmente quando o filhote ficou bem doentinho nos primeiros meses na escolinha. Me dava medo dele adoecer de novo e uma vontade louca de dar colo o dia inteiro. Mas não cheguei a pensar em parar de trabalhar não!

Como você e o Gustavo conciliam trabalho, filhos e casamento?

– Depois que o Daniel nasceu nosso casamento mudou muito! Tivemos uma fase “duas babás quase perfeitas” em que vivíamos em função do baby e nos esquecemos de nós. Com o tempo fomos nos descobrindo nessa nova identidade de casal e família. Hoje vemos que nosso filho é muito, muito amado, mas ele não é o centro da nossa família, do nosso casamento e da minha vida. Ele é parte de tudo isso. Isso muda T-U-D-O.

Quais são os principais desafios que você encontra hoje para ser uma mulher 3 em 1?

– Acho que o meu maior desafio em ser uma mulher 3 em 1 é reconhecer que sou uma só! No fundo, acho que tenho uma ilusão de que vou equilibrar todas as áreas da vida perfeitamente. Isso não é verdade. Vou viver com esses diferentes papéis e, conforme as demandas, concentrar (ou distribuir) as forças entre eles. Preciso reconhecer que as imagens idealizadas de mãe, esposa e profissional são miragens. Acho que a medida que reconheço meus limites, consigo viver a vida melhor.

Você sente culpa por trabalhar fora?

– Já senti culpa por não conseguir dar conta de tudo que achava que daria (crazy, crazy – eu sei!).

O que te motiva a trabalhar?

– Aprender e fazer coisas novas. Gosto de me atualizar e orientar a população que atendo todos os dias. Gosto de ser paga por isso também (Risos!). Trabalhar fora me faz uma pessoa melhor dentro de casa.

Quem são suas principais referências femininas?

– Não tenho um nome específico. Acho que todas as mulheres com quem convivo: as casadas com filhos pequenos, adolescentes e adultos, as casadas sem filhos, as solteiras…acho muito legal observar como cada uma lida com as situações da vida.

Na sua opinião, quais são os caminhos para encontrar o equilíbrio entre ser esposa, mãe e profissional nos dias de hoje?

– Leveza!

O que você e seu marido fazem (ou tentam fazer) para cultivar o relacionamento de vocês?

– Hoje em dia tentamos livrar algumas horas só nossas na semana sem o filhote. À noite tentamos (tentamos!) conversar, assistir episódios e namorar depois que ele dorme. Recentemente viajamos uns 4 dias e deixamos o pequeno com os avós. Foi maravilhoso!

O que você faz com seus filhos para ser uma mãe presente mesmo trabalhando fora? Do que você não abre mão?

– Tento chegar em casa e brincar um pouco com ele primeiro e não ir direto cozinhar ou arrumar a casa. Gosto de brincar com o Daniel e de passear no parque ou no condomínio nos finais de semana. Não abro mão de colocá-lo pra dormir. Adoro dar o último cheirinho no cangote do dia nele!

DAHoras


 

As conversas com a Flavia são sempre assim, serenas, inspiradoras e cheias de sabedoria. Fla, muito obrigada por ter topado dividir a sua história aqui. Que você continue cheia dessa vontade de acertar e fazer o melhor por onde passar, sendo tão mulher e tão feminina como você é.

Até a próxima, meninas!

Natália

 

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Dos valores e riquezas desta vida

Este ano completei dez anos de mercado de trabalho formal. Tô ficando velha…😝Desses dez, são sete trabalhando no mercado financeiro e cinco deles diretamente na área de negócios.
Parte do meu tempo estou no escritório e outra parte nos clientes, ouvindo as necessidades, discutindo ideias, pensando em alternativas para viabilizar projetos milionários e investimentos desafiadores.
Quando menina, nunca imaginei que um dia lidaria com valores tão altos e relevantes, e com tanta responsabilidade. Mas depois que fui mãe descobri outros valores e responsabilidades tão grandes quanto aqueles, com os quais preciso lidar dentro de casa, em família, e que nada tem a ver com dinheiro.

Tenho agora em minhas mãos a missão mais desafiadora e valiosa de todas: educar o meu filho. E terei feito isso com sucesso quando perceber que ele aprendeu que só há um (O) caminho por onde andar.

As habilidades e competências que eu preciso para desempenhar bem o meu papel das 8h às 17h não me qualificam para cumprir com êxito a missão de transmitir ao meu filho os valores que acredito serem fundamentais para a vida. E para isto eu busco a capacitação direto da fonte, Cristo.

A maior riqueza com a qual eu trabalho diariamente está aqui dentro de casa.

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Um bebê de 6 meses, a mudança para Londres e uma nova gravidez | Conheça a história da Renata.

Olá Mulheres 3 em 1!

A entrevista de hoje é com uma mulher linda e cheia de energia. Estou para conhecer alguém tão disposta como a Renata. Toda vez que me pego cansada com a rotina 3 em 1, eu lembro dela, que trabalhava em uma grande empresa multinacional, voltou de licença maternidade, foi promovida, depois de um mês recebeu uma proposta de trabalho em Londres, se mudou com a família toda e logo depois descobriu que estava grávida de novo. Isso mesmo, a Renata engravidou com um bebê de 6 meses, em outro país  e num emprego novo. Corajosa é pouco!

Renata Bastos da Costa Santos é paulistana, tem 30 anos, formada em Engenharia de Alimentos pela USP, trabalha como gerente de projetos em Londres, mãe do Felipe (1 ano e 4 meses) e da Julia (2 meses), casada com o Marcos Amorim há 4 anos.

Re, você sempre trabalhou fora? Como foi conciliar seu trabalho após a maternidade?

– Sim, sempre trabalhei fora em tempo integral e conciliar a maternidade com a volta ao trabalho não foi fácil, pois voltei uns dias antes do planejado, tive que abrir mão das férias porque me ofereceram uma promoção e não pude recusar. Tive que me organizar rapidamente para tentar montar um estoque de leite (não deu muito certo) e na primeira semana voltava todo dia para almoçar em casa, amamentar o Felipe e tentar tirar um pouco de leite. Depois, com o tempo, consegui me organizar e fazer home office, assim não perdia tempo no trânsito. Mas, depois de quase dois meses sai da empresa que trabalhava para mudar de país e logo comecei no meu emprego atual, que não tem o benefício de trabalhar de casa.

Durante a licença maternidade pensei várias vezes em parar, mas era uma possibilidade muito distante. A minha renda faz muita diferença no nosso orçamento familiar. Já cogitei parar por um tempo parar para poder cuidar das crianças e depois voltar para o mercado. Depois que tive filhos isso começou a fazer todo sentido, mas a ideia não foi pra frente.

Como você vocês conciliam trabalho, filhos e o casamento?

– Meu marido gerencia o próprio negócio e quando o Felipe nasceu ele continuou trabalhando em um ritmo menos intenso durante alguns dias, mas depois voltou a rotina normal. Agora que moramos em Londres, ele trabalha de casa e viaja uma vez por mês ao Brasil e fica de sete a dez dias. É bem difícil esse período longe, mas fazia parte dos planos quando mudamos.

Eu sigo trabalhando fora e o Felipe fica com minha mãe, que mudou para cá conosco para nos ajudar. Isso faz toda a diferença, ela é nosso maior suporte e está sendo incrível no cuidado com o Felipe.

Como engravidei de novo quando o Felipe tinha 6 meses, já estou de licença novamente, por isso ainda não o colocamos na creche, pois ficarei mais um bom tempo em casa.

Mesmo com um bebê pequeno conseguimos conciliar muito bem essa nova fase. Durante minha licença viajamos algumas vezes para o interior de São Paulo, pois a empresa do meu marido tem sede em Marília e os pais dele moram lá. Conseguimos viajar para o exterior duas vezes, a primeira quando o Felipe tinha 3 meses (fomos para os Estados Unidos passear), e a segunda quando ele tinha 5 meses (Inglaterra para visitar minha irmã), além de visitar nossos cunhados em Goiânia.

Depois, o Felipe ainda encarou a nossa viagem de mudança para a Europa, e quando eu já estava trabalhando viajamos com ele para a Suíça para visitar um casal de amigos. Sem falar, que voltamos para o Brasil para comemorar o aniversário dele de 1 ano. Todas as vezes achava uma loucura, mas no final sempre dava certo e quando fizemos uma viagem sem ele, sofri de tanta saudade.

O segredo para conseguir conciliar tudo isso sempre foi muito diálogo entre meu marido e eu, e aceitar todo tipo de suporte que poderíamos ter: mãe, sogra, tia, enfim, nunca neguei ajuda não.

Quais são os principais desafios que você encontra hoje para ser uma mulher 3 em 1?

– Para mim o maior desafio é lidar com essa nova Renata, que não tem mais tempo para si mesma na maior parte do dia, que não consegue mais planejar nada sem pensar nos filhos, desde os móveis que vou ter em casa até as compras de supermercado. Na minha opinião é importante ter uma rotina com as crianças, facilita a vida de todo mundo, mas também cansa pois são sete dias na semana assim.

Hoje não consigo pensar na minha carreira no longo prazo, tenho receio do tempo que teria que abrir mão de estar com meus filhos em prol de uma posição mais alta. Mas estou consciente de que essa é uma nova fase da minha vida e que mesmo tendo momentos em que tudo parece não se encaixar, logo mais já estarei adaptada.

Você sente, ou em algum momento já sentiu, culpa por trabalhar fora? Se sim, como lida com ela?

– Sim, senti, principalmente por antecipar minha volta ao trabalho na licença maternidade do Felipe. A licença no Brasil acaba bem quando seu bebê começa a introdução alimentar, isso foi cruel para mim, pois eu queria estar lá, fazer parte daquele momento, então, logo na primeira semana de trabalho, como comentei, voltava todos os dias para casa para amamentá-lo e dar o almoço.

Quando nos mudamos para Londres e comecei no novo trabalho, passei a me policiar muito com horário para poder ter tempo de qualidade com ele. Grávida novamente, me sentia mais culpada, e na minha cabeça tinha que dar um jeito e deixar o cansaço de lado. Lidar com todos esses sentimentos novos foi bem desafiador, por isso tento pensar que essa fase de correria e adaptação é passageira, porque senão você pira. Já estou de licença novamente e achei que seria muito, muito difícil cuidar de dois bebês, mas a experiência, maturidade e claro, a santa ajuda da minha mãe, sogra e irmã fazem toda a diferença.

O que te motiva a trabalhar fora?

– Gosto de trabalhar porque me sinto realizada e por ter o exemplo da minha mãe, que trabalhou a vida toda, nunca parou. Trabalhar me faz sentir ativa e sei que servirá de exemplo aos meus filhos, pois também sou tão responsável pelo sustento da família quanto o pai deles. Quando terminei a faculdade tinha grandes ambições, cheguei a almejar ser presidente de empresa, mas hoje o que quero mesmo é fazer um bom trabalho e ser reconhecida por isso. Não que eu não queira crescer na minha carreira e assumir altas posições ou de repente ter um negócio próprio no futuro, mas hoje a minha prioridade número um é ser a melhor mãe que puder para meus filhos.

Quem são suas principais referências femininas?

– Minha mãe, que criou minha irmã e eu sozinha, sempre nos incentivou em tudo e hoje é uma avó extraordinária. Minha avó, que teve 7 filhos e sempre foi muito guerreira. Minha sogra, que teve três filhos em um espaço de três anos, é professora universitária e um exemplo como esposa.

Na sua opinião, quais são os caminhos para encontrar o equilíbrio entre ser esposa, mãe e profissional nos dias de hoje?

– Saber que a vida é feita de fases, tudo passa, tanto os momentos bons como os difíceis e que devemos aproveitar e aprender com cada um deles. Se policiar para não se cobrar o tempo todo, buscar ter contato com outras mães para ver que muitas passam por situações semelhantes a sua e saber que você não está sozinha nessa jornada. Sempre buscar o diálogo com o marido para não deixar nenhuma questão em aberto. Aceitar ajuda, porque, como diz minha mãe, você não precisa querer abraçar o mundo com um braço só. E, para mim, o que mudou muito após a maternidade foi minha fé em Deus. Depois que me tornei mãe me dei conta que não tenho controle de absolutamente nada.

O que você e seu marido fazem para cultivar o relacionamento de vocês?

– Somos melhores amigos e confidentes, buscamos sempre fazer tudo juntos. Nas duas gestações foi assim, o Marcos me acompanhou em tudo, todas as consultas, ultra-sons e principalmente nos trabalhos de parto. Posso afirmar, com certeza absoluta, que ele me ajudou a parir nossos dois filhos. Acredito que o companheirismo e a cumplicidade nos ajudam a aproveitar ao máximo essa nova fase do nosso casamento. Estamos vivendo juntos esse momento, e é impressionante como nos pegamos planejando nossa vida sempre pensando nos nossos filhos.

Estamos muito alinhados e felizes com essa nova fase, que é mega intensa, mas maravilhosa, aprendemos tanto com eles, e ficamos radiantes com cada nova descoberta dos nossos filhos. A gente se diverte muito juntos. Claro que vez ou outra, se dá para ver um episódio de alguma série ou um filme no Netflix, a gente aproveita. Se conseguimos sair para almoçar, jantar ou até ir no mercado só nós dois, porque eles ficaram com os avós, aproveitamos também. Sempre buscamos aproveitar o máximos nosso tempo juntos, mas acredito que nos adaptamos bem com nosso novo papel como pais, e isso fortaleceu ainda mais nosso relacionamento.

O que você faz com o Felipe e a Julia para ser uma mãe presente? Do que você não abre mão?

– Assim que voltei a trabalhar, fazia questão de dar o almoço e o jantar para o Felipe. Chegava em casa do trabalho e amava quando ele pedia para mamar no peito, era tão bom. Antes da Julia nascer, quando eu ainda cabia na banheira (risos), fazia questão de dar banho no Felipe e colocá-lo para dormir. Depois de uma fase da gestação, dar banho começou a ficar complicado, mas não abria mão de fazê-lo dormir, e também todo dia de manhã ele ia se despedir de mim no elevador, e eu sempre agarrava, beijava e abraçava muito ele. Confesso que no final da gravidez o cansaço estava me desgastando muito e até me sentia culpada por não ter o pique ideal para dar a atenção que um bebê de 1 ano exige. Agora com a chegada da Julia, tenho me empenhado para dar atenção aos dois da melhor maneira possível. A jornada é puxada, mas gratificante.

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Uma mulher que está humanizando as políticas públicas em São Paulo | Conheça a trajetória de Patrícia Bezerra

Olá Mulheres3em1!

Abril começou com tudo por aqui. A conversa de hoje é com uma das mulheres mais influentes do Brasil, a vereadora mais votada de São Paulo em 2016, Patrícia Bezerra, convidada pelo prefeito João Doria para assumir a Secretaria Municipal dos Diretos Humanos e Cidadania de São Paulo. Pensem numa mulher linda e poderosa: é ela!

Patrícia Gama de Quadros Bezerra nasceu em de Maringá, no Paraná, onde foi criada e viveu com sua família até os 20 anos, quando se mudou para São Paulo. Formou-se em psicologia e se casou com Carlos Bezerra Júnior, hoje deputado estadual. O casal tem duas filhas adolescentes: Giovana (19) e Giuliana (17).

Patrícia, conte um pouco sobre você e como iniciou sua carreira política.

– Fui criada em lar evangélico metodista. Cresci em Maringá no Paraná e vim parar em São Paulo para fazer faculdade. Casei com o Carlos Bezerra, comecei a participar da Comunidade da Graça e me tornei pastora. Comecei a atuar na área dos Direitos Humanos, usando as habilidades de psicóloga e o chamado Cristão de lutar pela justiça.

Logo me envolvi com o terceiro setor e me tornei especialista na elaboração de projetos de desenvolvimento social. Comecei a atuar em comunidades de base e nas periferias paulistanas por meio de serviço voluntário para enfrentamento à violência, ampliação do acesso à educação, geração de emprego e renda e defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

A realidade nessas regiões carentes e locais de extrema vulnerabilidade social me inspirou, ainda mais, estimulando essa minha militância social que vinha desde a adolescência. Mas era preciso fazer algo a mais. Como cidadã as minhas ações eram limitadas. Eu entendi que precisava de força política para executar mudanças reais em favor da sociedade. Foi assim que encarei esse novo desafio: virar candidata a vereadora na cidade de São Paulo.

Com experiência acumulada de 15 anos em serviços voluntários, eu me sentia habilitada para propor projetos e iniciativas que defendessem os direitos dos que mais precisam. Na primeira eleição foram 34 mil e 511 votos. Fui a única nova mulher eleita na Câmara Municipal de São Paulo para aquela legislatura. E a única que trabalhava pela defesa dos Direitos Humanos, lutando contra as injustiças sociais e adotando medidas em prol da mulher e proteção da infância e adolescência.

Tenho orgulho de projetos que foram inovadores, como o plano municipal para a humanização do parto de gestantes na cidade de São Paulo, o “parto sem dor”, e a lei que garante o direito ao exame genético que detecta a trombofilia e toma providências sobre pré-natal na rede pública de saúde. Outro projeto aprovado na Câmara no meu primeiro mandato foi a cassação do alvará municipal de funcionamento ou qualquer outra licença da prefeitura para qualquer empresa que faça uso, direto ou indireto, de trabalho escravo ou em condições análogas a escravidão. Fui responsável também pela criação do Fórum de Proteção à Criança e ao Adolescente na Câmara Municipal de Vereadores, que já capacitou mais de 5 mil pais e educadores.

Como vereadora, também passei a ser uma voz ativa pela igualdade de gênero na política e na sociedade. Com todo esse trabalho em andamento, não poderia deixar de concorrer mais uma vez. Fui eleita em 2016 a mulher mais votada em São Paulo, a terceira no país. Recebi o convite do então prefeito eleito da cidade de São Paulo, João Doria, para assumir a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. Foi um desafio que aceitei com muita responsabilidade já que sempre militei no tema, sobretudo, pelos direitos das mulheres e das crianças.

Encontrei uma secretaria gigante, com 13 coordenações e interesses distintos, mas complementares. Na mudança de mandato, duas secretarias integraram a DH: Igualdade Racial e Política para Mulheres. Em quase quatro meses de trabalho duro conseguimos parcerias importantes, como a que fechamos com o governo estadual para a criação da Virada Feminina. Estamos acompanhando de perto o fenômeno dos “rolezinhos”, dialogando com os jovens e suas tribos, buscando atividades culturais e esportivas nos parques que possam ajudar a afastar a juventude do excesso de álcool e abuso de drogas ilícitas. Há uma série de projetos em andamento e, acredito, que vamos implementar uma agenda positiva de Direitos Humanos para todos na cidade.

Com uma trajetória tão relevante como esta, como foi conciliar seu trabalho após a maternidade?

– Sempre trabalhei meio período para conciliar a maternidade com o trabalho. Comecei em consultório particular, fazendo atendimento no período em que as minhas filhas estavam na escola. Só depois fui para a Fundação Comunidade da Graça ainda durante o período em que as meninas estavam na escola. Pensei em parar vários momentos, porque mãe se sente culpada por qualquer coisa que acontece com o filho. Se ele pega uma gripe não é porque isso acontece, mas porque eu estou trabalhando e não estou dando a atenção devida aos meus filhos, ou chego em casa cansada, cheia de preocupação e não consigo dar a atenção devida com aquela qualidade que toda criança merece e a gente desejaria.

A gente acha que tem que ser uma super mãe, suprindo todas as demandas físicas e afetivas, o que não é possível! Os nossos pais erraram conosco. A gente vai errar com nossos filhos. Mas o que supre
todas as necessidades de uma criança é o amor. Filho sabe quando a mãe sai para trabalhar e quando ela sai pra “passar a tarde inteira no shopping”. Ele sabe diferenciar a ausência. A ausência por uma ocupação é diferente de uma ausência deliberada, de não querer estar. Existe muita mãe que delega a função e o prazer de educar um filho para a babá, a avó, e outros agentes, e aí sim a criança sente. Ela sabe fazer essa diferenciação. Se a mãe, quando está em casa, preenche essa presença com amor, a ausência pelo trabalho não fará mal. Sequer será sentida.

 Mas você em algum momento sentiu culpa por trabalhar fora? Como lidou com ela?

– Sim. Algumas vezes senti culpa, mas me forcei a lidar com ela. Nisso a minha profissão me ajuda, porque sou psicóloga de formação. Comecei a analisar melhor os fatos. Criança cai, independente de você estar ao lado dela ou não. Quando ela começa a andar é uma espécie de treinamento. Esse treinamento vai fazer com que ela caia. E você não estará do lado o tempo pra segurá-la. Ela vai aprender a cair, sem se machucar, e levantar sozinha.

Comecei, então, a afastar esses pensamentos quase que paranoicos. Minhas filhas eram capazes de superar isso sem mim. Mas porque recebem muito amor nos momentos em que estamos juntas. O afeto faz com que se supere as dificuldades, ou as falhas que os pais vão cometer porque são humanos. A gente também aprende educando filho. Aprende sobre si e sobre como desenvolver a escuta, a paciência. O filho te chama 5 vezes para brincar, e você está ocupada. A tendência é gritar na quinta vez. Mas não. Você aprende que precisa explicar. Que você terá que sentar no chão, brincar com ele por bem mais que 5 minutos. Essa hora, ou meia hora, se for de qualidade, suprirá as necessidades dele. Ele entende que terá a sua atenção exclusiva em alguma parte do tempo, ele é capaz de entender isso.

A política é um dos ambientes mais machistas e com menos presença feminina no mundo todo e ainda pior no Brasil. Você já enfrentou algum tipo de preconceito ou problemas por ser mulher?

 – Já. Assim que eu entrei na Câmara Municipal de São Paulo como vereadora enfrentei um clássico episódio de preconceito. Eu já havia participado de umas seis sessões plenárias, quando em uma delas, eu pedi um microfone de “aparte” para fazer uma solicitação. Havia se encerrado um processo de votação e eu conhecia o rito da Casa e o regimento interno. Eu sabia que poderia, mesmo com uma votação encerrada, chegar ao microfone e pedir para a presidência registrar o meu voto contrário. Eu fiz isso. Um vereador experiente e machista seguiu para o outro microfone e disse “pois é, presidente, tem vereadora nova que chega aqui, pega o microfone e fala Nhenhenhê…” imitando um voz fininha de mulher. Ele me arremedou. É claro que meu sangue ferveu. Mantive a compostura e voltei ao microfone dizendo que “fui arremedada” e queria deixar claro para o vereador que isso é falta de respeito. Exijo respeito. Porque aqui, sendo seu primeiro, segundo, terceiro…décimo mandato, eu sou tão vereadora quanto o senhor. E eu exijo respeito e nunca mais me arremede.

Esse vereador era “temido” por outros na Câmara e eu fui muito firme. E nunca mais ele agiu assim. O legislativo é um ambiente machista. É preciso ter o mesmo bom humor e ao mesmo tempo ser firme para fazer com que sua voz seja ouvida.

O que te motiva a trabalhar? Qual o sentido do trabalho para você?

– Desde pequena eu tive um senso de justiça muito grande. Sempre tive um desejo de ser relevante para o meu país. Sempre tive um desejo de transformar o mundo. Sempre tive essa gana: eu participei de uma coisa boa e transformei a vida de alguém. Isso vem desde os meus 12 anos.

Claro que eu nunca imaginei que eu iria parar em São Paulo, na maior cidade da América Latina, com uma função de representante do povo. Isso aconteceu e eu continuo tendo muita vontade de que a justiça seja feita. De ver um país mais equânime, mais justo, com oportunidades iguais para todos, independentemente da sua crença, da sua raça, do seu gênero, da cor. Em São Paulo o racismo praticado contra a mulher, contra o jovem é algo que faz a gente chorar. O que me move é a sede por justiça.

Como você e o Carlos Bezerra conciliam trabalho, filhos e casamento?

– Hoje vivemos o melhor dos mundos. Minhas filhas estão com 19 e 17 anos e não têm mais as demandas de atenção exclusiva, ou mesmo de cuidado trabalhoso. Na nossa vida, em épocas em que ele trabalhava mais, eu fazia o papel dos dois nesse cuidado sem deixar transparecer essa “ausência” porque devemos ser parceiros, principalmente nesses momentos.

Tem mãe que fica infeliz porque o marido está trabalhando mais do que ele deveria, na opinião dela, e começa a deixar claro para os filhos esse descontentamento. A falta do pai não é proposital. As vezes ele está absorvido por uma agenda de trabalho e você está mais livre para ir a uma celebração, comemoração, e então, a mãe tem que cumprir esse papel de forma plena e sem deixar essa lacuna. E quando for a vez dele, se precisar te representar, será ótimo.

É possível conciliar. É preciso muito jogo de cintura, muita habilidade emocional, bom humor. É preciso fazer com leveza.

 O que vocês fazem para cultivar o relacionamento como casal?

– Primeiro a gente tenta ter agendas controladas. Nem sempre é possível e dá confusão. Tentamos manter uma rotina de, pelo menos uma vez por semana, no mínimo, ir ao cinema, juntar a família para debates pós filme, jantando fora. Tentamos estabelecer uma rotina. Não é fácil, porque as vezes a única coisa que você quer é colocar o pijama e deitar na cama, exaurida de cansaço. Mas é preciso superar a fadiga. Avaliar bem o que vale a pena e o que pode ser deixado de lado. Sempre avaliamos a prioridade. Se algo está atrapalhando demais o nosso relacionamento, conversamos e avaliamos até onde possível ir. E frear. A prioridade ainda é a minha família e os meus filhos.

O perigo é quando você trabalha no que você gosta, você pode ser absorvido pela atividade e nem se dar conta. Porque, ao mesmo tempo em que te exaure, te dá um prazer enorme de realizar o que você sempre sonhou em realizar. É preciso parar, olhar o entorno, a saúde emocional, o nível de discussão. Se estiver no verde, ok. Se estiver na luz amarela, você dá uma puxada no freio. E se estiver na vermelha, você deve mesmo mudar a atitude.

O que você faz com suas filhas para ser uma mãe presente? Do que você não abre mão?

– Estou sempre dialogando com elas. Faço questão de ter um programa semanal com minhas filhas. Separo espaço na minha agenda para tratar, pessoalmente, de uma demanda importante para elas. Acompanhei as minhas filhas na inscrição da faculdade, na entrevista de transferência para uma escola nova. Participo das reuniões de pais. Quero estar presente nos momentos importantes. É possível.

 Quem são suas principais referências femininas, as mulheres que te inspiram?

– Rosa Parks, Zilda Arns, Michelle Obama, Hannah Arendt, Madre Teresa de Calcutá.

Patrícia, por fim, o que você diria para as milhares mulheres que também estão trilhando esta tripla jornada?

– Tenham força, bom humor e muito jogo de cintura. Conversem com a família, não se culpem. Separem um tempinho para vocês. E outro para os filhos. Busquem o equilíbrio emocional, e principalmente, a satisfação pessoal, no trabalho e em casa. E quando a coisa apertar, pare, respire e coloque na balança o que é mais importante pra você e para a saúde da sua família. Com certeza você saberá em que investir e o que deixar passar.

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Meninas, eu tive o privilégio, há alguns anos, de conhecer esta mulher incrível, guerreira e inspiradora que é a Patrícia. Ao mesmo tempo que ela é doce, ela tem autoridade. Para mim, é um exemplo de esposa, de profissional, de mulher e mãe.

Foi uma alegria imensa dividir a sua história aqui no blog, Patrícia. Muito obrigada pela generosidade de dedicar um tempo (que eu sei que você não tem atualmente – rs) para inspirar tantas meninas e mulheres com a sua vida e sua trajetória. Sem palavras.

Espero que vocês tenham gostado! Até semana que vem com mais #Mulher3em1.